MARCO TÚLIO OLIVEIRA

 

PSICÓLOGO e PSICANALISTA

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TERAPIA DE ADOLESCENTE

A adolescência é uma passagem obrigatória, delicada, atormentada e ao mesmo tempo criativa para o limiar da maturidade. Um adolescente deixa gradativamente de ser uma criança e ruma penosamente para se tornar um adulto.
 
Três aspectos distintos e complementares estruturam a adolescência a saber; o biológico, o sociológico e o psicanalítico. A puberdade se refere ao aspecto biológico, momento este da vida em que o corpo da criança é alvo de um “tsunami” hormonal disparando alterações das formas anatômicas. No que tange o sociológico, este é o período transicional entre dependência infantil e a emancipação do jovem adulto.
 
Já do ponto de vista psicanalítico, o adolescente é um jovem errático que se projeta para a vida e freia repentinamente, desolado, desesperançado, para se lançar novamente, possuído pela chama da ação. Nele tudo é contraste e contradição. Ele pode mostrar-se agitado e indolente, revoltado e conformista, taciturno e eufórico, intransigente e esclarecido; por vezes entusiasta e, bruscamente, apático e deprimido. Pode aparentar individualista e orgulhoso, ou, contrariamente, com diminuta autoestima, desconfiança e sentimentos persecutórios.
 
Idealiza uma celebridade elegendo-o como um ídolo oposto aos valores familiares. Com frequência nutre paixão por ideais, nobres ou contestáveis, de seu grupo de colegas. Manifesta pelos pais sentimentos contrários aos que realmente sente: insurge-se contra as regras, anseia por libertar-se do jugo dos pais e vocifera seu ódio, ao mesmo tempo que sua criança oculta os ama. Estes contrastes de humor e atitudes, em qualquer outro período da vida, seriam sintomáticos, no entanto, deveras normal na adolescência.
 
A adolescência é uma das fases mais fecundas pois tudo que construímos hoje é erigido com a energia e a inocência do adolescente remanescente em nós. Ao mesmo tempo em que o corpo adquiri a capacidade de procriar, a alma ruge pelas grandes causas, aprende a abstrair situações complexas, intui eventos, abre caminhos em territórios desconhecidos. Germina o interesse intelectual e afetivo, e a descoberta de novas maneiras de viver diferentemente os afetos.
 
Soma-se a isto, a conquista do espaço social, fora do âmbito familiar e escolar, imbuído do universo idiossincrático dos seres humanos. Tal acesso lhe confere a consciência do outro, por nos reconhecermos através do outro e admitir nossa interdependência. Dinâmica esta biológica, afetiva e socialmente necessária à nossa individuação.

 

O adolescente em crise, que se manifesta por meio de comportamentos compulsivos, é um jovem com dificuldade de verbalizar seu mal-estar, seu sofrimento difuso que o assola, restando aos adultos insinuarem as palavras que lhe falta, traduzirem a ele o mal-estar que sente, e que o manifestaria por si mesmo se o identificasse.


De fato, nem sempre o adolescente está apto a falar o que sente porque não o reconhece claramente. Consequentemente, é induzido a atuar ao invés de falar. Seu mal-estar revela-se não através das palavras, traduzindo-se em atos.
 
Seu sofrimento confuso, indecifrável, em suma, inconsciente, manifesta-se na forma de atitudes impulsivas associado a uma torpe consciência e ausência de palavras que o defina.

 

Um psicanalista interpreta um ato violento de um adolescente como a expressão de uma dor interior não sentida, anestesiada, camuflada por uma vontade de potência e imunidade acompanhada de solidão, rancor e desconfiança. Imbuído de uma consciência amortecida, assume riscos para reafirmar-se.
 
Comportamentos de risco mais frequentes são notáveis como os depressivos e isolamento, drogas, álcool (bebedeira de sábado a noite), maconha, tentativas de suicídio e suicídios consumados. Somam-se a isto os distúrbios alimentares (anorexia e bulimia), a pornografia invasiva na tv e internet associada à violência, a ciberdependência dos videogames e o uso exagerado dos chats de caráter erótico com webcam e microfone, bem como o desinteresse escolar e escapadas que fomentam atos delituosos.
 
Sob tal aparente automutilação e agressividade contra outros, subjaz um distúrbio depressivo peculiar, disfarçado, hostil, que não se revela por abatimento e tristeza. A dor da perda se manifesta através do rancor por uma ofensa.
 
Convém distinguir “crise de adolescência” e “adolescente em crise”. O primeiro se refere ao período intermediário em que o término da infância não se operou e o início da maturidade não se firmou como tal, enquanto o último alude ao jovem que, tendo assumido uma atitude antissocial, torna-se incontrolável pela família.
 
A travessia saudável a maturidade de um adolescente requer que o mesmo padeça de uma neurose e se desvencilhe dela, sendo isto reconhecido como a “neurose saudável de crescimento”, percurso este penoso que se caracteriza pelo conflito entre suas inomináveis pulsões pubertárias (id) e seus valores morais impiedosos (supereu), e que ao final se conciliam. Torna-se assim difícil para os pais monitorarem um jovem que vivência uma luta entre seu corpo e sua mente que se dissipa no limiar da vida adulta.
 
Além desta tormenta psíquica, há de se considerar o “luto da infância perdida”. Trata-se de uma perda inexorável e silenciosa que persevera até a conquista da maturidade, que lhe impõe, a contragosto, a elaboração do luto de sua infância. O aprendizado de outras formas de amar seus novos parceiros e a si mesmo atestarão o fim deste luto.

 

Aos pais inquietos face a este período crítico de seus filhos, algumas recomendações podem ser de valia na resolução de contextos conflituosos sem gravidade. Saber esperar que a tempestade passe é o melhor antídoto. Convença-se que a adolescência é uma etapa com os dias contados.
 
Ao advertir seu filho, este não atenta tanto para a crítica e a emoção expressas em suas palavras, e sim para a sua disponibilidade de espírito. Por mais que ele legitime sua reação crítica, ele necessita da certeza de que você não perdeu a confiança nele, de que, independente do que ocorrer, seu crédito nele não está erodindo. Saiba diferenciar a pessoa de seus atos; julgue um comportamento sem renegar seu amor por ele.

 

Além de condenar, punir, aconselhar, é essencial firmar compromissos com o jovem, saber negociar. Ao ocorrer um desvio de conduta, uma infração, procure não reagir impulsivamente, de imediato. Postergue para o dia seguinte a conversa sobre o evento mostrando-se firme e aberto ao diálogo. Seu filho espera que você desempenhe seu papel de protetor que não hesita em impor-lhe limites, que não significa somente proibir, mas também negociar.
 
Nunca o compare com seus irmãos(ãs) ou com outro jovem de comportamento exemplar. Tal comparação não inflama o seu orgulho, pelo contrário, o desencoraja, e pior, o humilha.
 
Nunca preveja um fracasso de seu filho, pois isto demonstra a sua falta de confiança nele. Pelo contrário, seja sempre positivo. Por ele viver mais no presente, ele não dispõe de capacidade para prever problemas e evitá-los. Aconselhá-lo a empenhar esforços em suas tarefas concretas é mais eficaz.
 
Muitas vezes um jovem insuportável em casa é apreciado fora dela. Os pais se surpreendem com o tom congratulatório de outros dirigido a ele. Os filhos intratáveis muitas vezes percebem o amor dos pais como sufocante, e não como um afeto acolhedor e protetor. O jovem pressente que a demanda dos pais pela execução de tarefas, os julgamentos expressos, os castigos, suplantam o amor deles por ele.  Tal contexto o leva a considerar o amor de terceiros mais gratificante devido ao baixo grau de expectativa sobre ele. As intervenções de terceiros, tais como avós, tios, amigo da família, professor apreciado pelo jovem, normalmente são bem acolhidas pelo jovem por não reascender seu sentimento de inferioridade e evitar enfrentamentos explosivos com os pais. Busque não desafiar seu filho para impor sua ascendência sobre ele.
 
Seja realista e ame seu filho tal qual. Suas atitudes perante ele derivam da idealização que você elabora sobre ele: "O que ele deveria ser".
 
Por fim, os pais de um adolescente devem reconhecer duas perdas: a perda de uma criança que se emancipou e a perda da ilusão de um adolescente ideal; estudante obstinado, seguro, idólatra da família e transigente com seus valores.